É normal que as pessoas possuam orgulho; na verdade, ter os chamados brios é que nos difere dos animais. Um cachorro, um gato, um leão, enfim, qualquer animal pode ter algum tipo de inteligência, mas ter orgulho é algo totalmente humano.
Sendo assim, ter orgulho,
gostar de ser quem você é, é algo que nos faz nos sentirmos melhor. O problema
é quando, diante de alguma situação da vida, o orgulho toma conta do infeliz e
ele não pensa em mais nada.
Existem muitos tipos de
orgulho, mas o pior de todos é o chamado “orgulho de pobre”. Essa merda
acontece quando a pessoa tem direito a uma coisa, mas, como se sente orgulhoso(a),
não luta por seus direitos. Deixa para lá algo que pode ser fundamental para a
sua vida, não só no aspecto econômico, mas também no social.
Para exemplificar essa
cachorrada, vamos a um exemplo prático e verídico: há quase sessenta anos, uma
mulher se casou; logo descobriu que ele era um vagabundo, vivia
nos bares e tinha uma amante. Essa mulher teve filhos com esse crápula (que
para piorar a situação, ainda a espancava).
Isso era uma coisa comum,
na década de 1950, 1960: os maridos tinham controle absoluto sobre as mulheres
e filhos. Mas, nas décadas seguintes, a situação começou a mudar e as mulheres
passaram a ter mais consciência de seus direitos.
Enfim, há mais de
quarenta anos, essa mulher, cansada dessa vida de merda, resolveu juntar seus filhos
e seus pertences e ir para outra cidade, longe daquele inferno.
Parabéns para ela! Mulher
de decisão e guerreira! Só que não! Aí entra em cena o "orgulho de pobre": ela
era casada com ele no papel; com a separação (desquite, na época), ela tinha
direito a uma boa quantia em dinheiro e terras (o safardana era filho de um
fazendeiro rico).
O que a inteligente fez?
Nada! Abriu mão de seus direitos e foi viver uma vida cheia de privações com os
filhos.
Não dá para entender: se
ela queria bancar a correta, tudo bem, mas que pensasse nos filhos: com o
dinheiro do safado, poderia lhes garantir uma boa condição de vida, uma boa
educação e, por conseguinte, um bom emprego.
Resultado: hoje ela está
doente, mora numa casa de aluguel e os filhos até que se saíram bem (mas
poderiam estar melhores).
O ex-marido juntou com a
amante e foram aproveitar a vida, enquanto ela criava os filhos sozinha. Quando
o infeliz morreu, veio para ela uma pequena quantia em dinheiro, uma ninharia
comparada ao que ela tinha direito.
Assim, não estou julgando
ninguém, cada um faz o que quiser; todavia até para ser bobo e otário tem
limite. Ter orgulho é algo muito bom e faz bem para a autoestima.
Mas, quando
se junta com uma certa presunção, faz muito mal não somente para a pessoa, mas
todas aquelas que dependem da mesma.
