Desde cedo, me interessei por fazer
negócios; desde a infância, me atraiu lidar com dinheiro. Algo que julgo parte
da minha personalidade.
Com a idade de nove anos, comecei a juntar
sucata para vender no ferro-velho; com dez, já fazia pequenos serviços para
meus pais e meus tios. Nesta idade, já conversava com gerente de banco.
Com catorze, já tinha uma incipiente
contabilidade; com vinte comecei a montar um negócio de consórcios de dinheiro.
Basicamente era assim: cada pessoa era sorteada para receber o total de cotas
de determinado grupo; quanto mais demorasse para receber, mais ganharia juros e
eu, além de ter as minhas cotas, ainda recebia uma taxa de administração.
Logo o negócio se expandiu, pois comecei a
fazer pequenos empréstimos e trocar cheques. Eu que administrava tudo; fazia a
recolha de dinheiro, procurava novos clientes. No fim, me sentia realizado.
Com 25 anos, passei a ser servidor público
e o tempo ficou mais escasso. Tive que dar uma diminuída nos clientes. Por fim,
no final de 2014, resolvi encerrar as atividades. Foram 13 anos lidando com
esse tipo de negócios.
Olhando para trás, posso tecer os
seguintes comentários:
- Ganhei muito dinheiro, mas também perdi muito com clientes inadimplentes. Meu desejo de querer ajudar a todos, muitas vezes, me fazia avaliar mal a quem conceder crédito.
- Adquiri um profundo conhecimento sobre a natureza humana; uma pessoa faz qualquer coisa para conseguir determinada quantia. Mente, inventa e não mede esforços. Com o tempo, passei a distinguir realidade de fantasia.
- Ajudei muitas pessoas a pagarem suas contas e a adquirem bens, enfim, a reorganizarem suas vidas financeiras, pois também fornecia consultoria gratuitamente.
O dinheiro, no final das contas, é a
melhor mercadoria para se negociar; não tem data de validade, não ocupa espaço
e todos querem “comprar”.

