sábado, 25 de maio de 2019

DIVAGANDO - 3



Desde cedo, me interessei por fazer negócios; desde a infância, me atraiu lidar com dinheiro. Algo que julgo parte da minha personalidade.

Com a idade de nove anos, comecei a juntar sucata para vender no ferro-velho; com dez, já fazia pequenos serviços para meus pais e meus tios. Nesta idade, já conversava com gerente de banco.

Com catorze, já tinha uma incipiente contabilidade; com vinte comecei a montar um negócio de consórcios de dinheiro. Basicamente era assim: cada pessoa era sorteada para receber o total de cotas de determinado grupo; quanto mais demorasse para receber, mais ganharia juros e eu, além de ter as minhas cotas, ainda recebia uma taxa de administração.

Logo o negócio se expandiu, pois comecei a fazer pequenos empréstimos e trocar cheques. Eu que administrava tudo; fazia a recolha de dinheiro, procurava novos clientes. No fim, me sentia realizado.

Com 25 anos, passei a ser servidor público e o tempo ficou mais escasso. Tive que dar uma diminuída nos clientes. Por fim, no final de 2014, resolvi encerrar as atividades. Foram 13 anos lidando com esse tipo de negócios.

Olhando para trás, posso tecer os seguintes comentários:

  •  Ganhei muito dinheiro, mas também perdi muito com clientes inadimplentes. Meu desejo de querer ajudar a todos, muitas vezes, me fazia avaliar mal a quem conceder crédito.
  • Adquiri um profundo conhecimento sobre a natureza humana; uma pessoa faz qualquer coisa para conseguir determinada quantia. Mente, inventa e não mede esforços. Com o tempo, passei a distinguir realidade de fantasia.

  • Ajudei muitas pessoas a pagarem suas contas e a adquirem bens, enfim, a reorganizarem suas vidas financeiras, pois também fornecia consultoria gratuitamente.

O dinheiro, no final das contas, é a melhor mercadoria para se negociar; não tem data de validade, não ocupa espaço e todos querem “comprar”.

20/02/2019



DIVAGANDO - 2



Quando se é mais jovem, se acredita que se pode fazer qualquer coisa, seguir qualquer carreira, de preferência que atraia a combinação fama e dinheiro. Também se busca a atenção do sexo oposto, pois os hormônios estão fervilhando.

Alguns querem ser jogador de futebol; outros cantores; outros atores, enfim, carreiras de ostentação, geralmente acompanhados com uma grande quantidade de fãs. Algo normal para esta época da vida.

No meu caso, desejava ser escritor. Com uma década e meia de vida, já me julgava com bagagem suficiente para escrever e acreditava que seria bem-sucedido com minha escrita.

E assim, começaram meus primeiros escritos, se bem, que voltando mais ao passado, já escrevia desde os oito para nove anos.

Cheguei a mandar cartas para as editoras, com meus escritos que julgava serem o máximo. Logicamente, nenhuma me respondeu. E o tempo passou.

Passou-se uma década e o adolescente cheio de confiança se tornava um homem comum, no meio de tantos e tantas.

Continuei a escrever, fiz quase cinco centenas de escritos, entre poesias, contos, matérias para jornal e coletâneas de pensamentos. Cheguei a publicar uns livretos, mantive um blog e acreditava que chegaria a minha hora. Seria um grande escritor.

O tempo passou e completei três décadas de vida. Me envolvi com pessoas de todo tipo, ganhei e perdi na vida. E minha carreira como escritor ficou parada.

Hoje, com quase 40 anos, posso dizer que não serei mais um escritor. A culpa é de ninguém. Uma conjunção de fatores não permitiu realizar meu intento. Também, não me dediquei como deveria, não quis fazer isso uma profissão, pois aliás, já tenho uma (administrador de empresas).

Poderia ficar triste e abatido como muitos, mas para que? Minha vida sempre foi de realizações e seria muito injusto pensar que foi um fracasso. No mais é aceitar isso e seguir em frente.

Continuo escrevendo, como se pode notar neste texto; é algo que me completa e me faz bem, tanto quando sua atividade-irmã, a leitura. Mas, hoje estou mais leve e resignado.

No fundo, todos somos escritores, pois os dias da existência são como páginas em branco e escrevemos nelas com nosso modo de pensar e agir.

 20/02/2019



PENSAMENTOS DO CAR@LHO # 15