sábado, 30 de março de 2019

DIVAGANDO...

 I
     Durante muitos anos, me ocupei da ideia de criar uma “filosofia de vida”, uma coleção de determinados elementos que iriam me nortear nos caminhos da vida. Assim, desde a tenra idade, achei que seria deveras interessante criar um conjunto de componentes que serviriam como um manual para enfrentar os desafios que a existência apresenta. 

    Com a idade de quinze anos, este sistema já estava praticamente consolidado, ainda que pela pouca vivência, me julgasse sabedor de várias coisas, mesmo que não tivesse experiência para tanto.

    Com o passar do tempo, novos elementos eram acrescentados a este sistema que se tornava mais variado e diferenciado. Sentia-me satisfeito em ter criado algo que julgava ser tão meu, tão particular. Logicamente, este conjunto de elementos era mutável: algum elemento era retirado ou aperfeiçoado para melhor atender determinada situação que se apresentava.
 
    Com três décadas de vida, me sentia pronto para fazer qualquer coisa, me sentia completo, como se pudesse conquistar o mundo. Uma sensação muito boa, mas que deve ser tratada com cautela. A única certeza da vida é que ela muda e muda bem rápido. 
    
    Destarte, não se deve acreditar que o estado atual das coisas é o definitivo, pois tudo pode sofrer uma reviravolta, seja para o bem ou para o mal. Apesar de todos os reveses, ainda acreditava que o meu conjunto de elementos era ideal para guiar minhas ações e comportamentos. Era algo que muito me orgulhava e me sentia bem com isso. Mas como se sabe, tudo evolui; o mundo passa por transformações que sempre criam um novo cenário e uma nova configuração das coisas. E quem não se adapta, acaba soterrado pelos fatos.
 
    Depois dos 35 anos, passei a pensar muito sobre minha vida; sobre o rumo que ela estava tomando. Já estava atingindo o que chamava de “infância da maturidade” e deveria me preparar para o futuro. 

     Escrevi e li muito, tentando achar uma saída para a minha inquietação. Também rezei muito para encontrar uma reposta para minha angústia. E Deus, logo, atendeu minhas preces. Assim, com o coração aliviado me veio, em uma noite, uma ideia de libertação que acalmou meu espírito e aliviou minha mente. Era como se deixasse de usar uma armadura que tolhia os movimentos.

    Compreendi, que a vida de qualquer pessoa é maior do que ela mesma; que uma coleção de elementos ou regras não resolve este problema. Que a melhor coisa da vida é viver. Simples assim. Pode parecer bem simples, todavia, não é tanto assim. Tem-se a vontade de controlar as sensações e os sentimentos, colocá-los em ordem como se isso fosse possível.
 
    A melhor parte da vida é que cada dia tem o dom de ser único. Pode-se fazer o que se deve fazer, dentro das possibilidades, quando se realmente se tem este intento. Assim, a regra principal é viver e tentar aprender com as coisas que se tem vivência, sejam elas boas ou ruins. Tudo que se puder agregar aprendizado é válido, ainda que cause certa dor. Claro que uma vida desenfreada não é a intenção. Tudo em excesso faz muito mal. Assim, quando se pode evitar alguma situação que cause descontrole é bom, ainda que a vida sempre as reserve.

Agosto de 2018




II
                                                     1
    Diante do que vivenciamos na existência, procuramos aprender da melhor maneira possível; pelo menos se espera isso. É natural e aceitável que, com a complexidade da vida, pode-se perder o rumo e acreditar que estamos trilhando o caminho errado. Quantas vezes, acreditamos que o caminho que julgávamos ser seguro se revela ser um beco sem saída ou pior, o chão some sob nossos pés? Mas o nosso existir, não é, não foi e nem nunca será tranquilo. Cada dia pode trazer um novo saber; um movimento pode alterar o percurso da caminhada.

                                                      2
      Para se ter segurança, acaba-se criando uma série de regras, conceitos, procedimentos para nos sentirmos protegidos das vicissitudes que a vida traz.
Algo comum para o ser humano, que por se julgar um ser racional, acredita que a razão resolve tudo. Tola ilusão, pois não somos somente racionais, somos biológicos e a emoção é constituinte fundamental de nossa estrutura. Então, é uma perda de tempo, se debruçar sobre nossas ações, nosso comportamento, tentar estabelecer o controle, planejamento, pois tudo se transmuta muito rápido e isto apenas tolheria nossa adaptação.

                                                    3
      Tal corrente de pensamento é interessante. Sim, como é livre viver sem impedimentos, ao bel prazer! Deixar que tudo se arranje, que as coisas encontrem o seu lugar que a harmonia brote de geração espontânea! Todavia, sabemos que não é bem assim. Sem determinadas diretrizes, o caos se instala. E para evitá-lo, tudo deve ser esquematizado, normatizado, planejado ao máximo! Também não, pois a mesma água que mata a sede, também afoga, o remédio que cura, pode matar.
 
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      Não existe uma fórmula mágica para equacionar esta questão. Como ter uma solução exata se a vida não se faz exata? O que se pode fazer é elaborar um sistema que una a liberdade com o planejamento, controle com espontaneidade. Que guarde, mas não aperte; que proteja, mas não sufoque. E ter a convicção de que este sistema jamais estará pronto; deverá ser sempre aperfeiçoado e ajustado. No final, a única constante no Universo é a mudança. Temos nossa essência,nossa alma, nos dada por Deus. Estabelecer um ponto de equilíbrio entre essas duas realidades é que faz toda a diferença.
Outubro de 2018






III
A
    Muitas vezes, decidi que o melhor é não expandir, não desenvolver e ficar em minha zona de conforto e não me envolver com quem quer que fosse. Com o passar dos anos e das experiências vividas, se adquire, com toda a razão, este comportamento. Não quero, de modo algum, sofrer e me decepcionar, pois isto é, com certeza, muito ruim e deixa marcas profundas.
                                                     B
    De fato, permanecer onde se está é mais seguro e confiável, mas viver desta maneira é muito pouco. A vida é o que fazemos dela. E querer melhorar é algo inerente ao ser humano, desde que, ele possua o desejo de se desenvolver e experimentar coisas novas e edificantes.

                                                     C
    Não defendo aqui que se faça algo sem pensar, pois atos impensados são deveras perigosos; entretanto é muito bom aproveitar as oportunidades que se apresentam. Não existem garantias de sucesso, mas quem não faz, não goza o sabor da vitória.
                                                     D
     É por isso que, apesar de todas as derrotas que já tive e decepções que já passei, sou um otimista. Fazendo um balanço, os ganhos foram muito mais importantes do que as perdas. Acredito que posso melhorar e posso ajudar quem merece ser ajudado. Destarte, viver isolado não condiz com a história humana, pois a maior invenção de nossos antepassados não foi a roda e sim, a sociedade, pois assim, ajudamos uns aos outros.

Outubro de 2018 




IV
    Sou uma pessoa afortunada; Deus sempre me ofertou mais do que merecia. Minha existência, ao longo destes dias, meses e anos, foi muito boa, pois a bênção do Senhor esteve presente em todas as horas. Só possa agradecer e tentar ser útil da melhor maneira possível. Logicamente, que existiram e, certamente existirão, os momentos mais custosos, tristes e sombrios, quando o desânimo e a desesperança irão querer triunfar. Entretanto, com minha força de vontade e com o auxílio divino espero superar todas as dificuldades. Acredito que o mais importante da vida é aprender com as vitórias e derrotas e, diante dos acontecimentos, extrair o aprendizado e a lição. Sendo assim, frente as situações que já vivi e experimentei, posso afirmar que tenho certa sabedoria.
 
    É relevante também, tanto quanto aprender, se adaptar; estar sempre aberto às mudanças que provam a nossa fortaleza e exercitam nossas capacidades. 

Fevereiro de 2019 


domingo, 24 de março de 2019

CONSIDERAÇÕES GERAIS SOBRE A EXISTÊNCIA


 
Durante a vida, muito se aprende com as experiências. E assim, diante de determinados problemas e situações, o ânimo se esvai e tudo parece perdido. Nada mais humano e aceitável.
 
Sendo assim, nenhuma pessoa está livre de períodos turbulentos, nos quais se irá desejar o isolamento e introspecção. Contudo, se fomos agraciados pelo Divino Criador com dons, estes talentos não devem ser “enterrados” e sim postos em atividade para o Bem Comum.

Posso observar em minha existência, que duas personalidades coexistem: uma mais quieta e outra mais expansiva. Lutam pela posse de minha mente e atitudes.

Isto sempre aconteceu, ainda acontece e sempre acontecerá, enquanto estiver neste plano. Daí advém uma questão muito oportuna: qual delas está correta? Qual proporciona o melhor bem-estar, a melhor vivência, dentro das possibilidades?

Durante anos esta pergunta ficou sem respostas, mas como estou na infância da maturidade, já encontro subsídios para responder tão importante indagação.
 
Chega-se a uma conclusão que pode parecer simplista ou simplória, entretanto é a mais acertada: não existe uma melhor que a outra e as duas se fazem necessárias. Destarte, a resultante destes dois paradigmas é que proporciona a minha existência e minha personalidade, únicas e inimitáveis.
 
“Se para morrer basta estar vivo”, como apregoa o famoso anexim popular, a vida deve ser levada da melhor maneira possível, dentro das possibilidades que se apresentam. Se a morte lhe sorri, devemos sorrir de volta, uma citação um tanto estoica, mas que tem um profundo significado.

Com a Graça de Deus é importante viver, aprender e evoluir. Como o fogo que, perto demais queima, mas longe demais não aquece; como a água que sacia a sede, mas também afoga; como o remédio que cura a enfermidade, mas também se torna veneno. No fundo, tudo se resume a uma questão de dosagem: o
prazer não deve se degenerar em vício. A vida é assim.

2017 


PENSAMENTOS DO CAR@LHO # 15