segunda-feira, 30 de setembro de 2019

NÃO TENHA PENA OU DÓ DE NINGUÉM


Podem me chamar de desumano, sem-coração, ruim, mas de uma coisa não abro mão: acredito, com todas as minhas forças, que não se pode ter dó de ninguém.  Não se pode ter esse sentimento, pois ele rebaixa a pessoa e ela passa a ter um comportamento submisso, quase escravo. Mas é bom ressaltar: isso nada tem a ver em não ajudar as pessoas que precisam, que passam por um momento difícil e complicado na vida. Em suma: ajudar a carregar a cruz e não carregar a cruz do outro para ele.


Para ilustrar meu pensamento, recordo-me de um caso familiar, infelizmente verídico. Havia um irmão de minha mãe, meu tio materno, que era um homem forte e saudável, determinado e que tinha tudo para ter uma vida boa e produtiva.


Lembro-me bem dele, há cerca de 30 anos: moreno, alto, forte e simpático. Um futuro promissor o aguardava.


Todavia, ele era solteiro e num desses lances impensados da vida, acabou engravidando uma mulher (que, diga-se de passagem, vivia dando em cima dele). Essa mulher nunca foi muito normal, apresentando sérios problemas mentais, mas encorajada pela família e com medo de ficar solteira, resolveu atacar o coitado do meu tio. Coitado, até certo ponto, pois ele transou com ela porque quis, não foi obrigado.


Assim, ficou este impasse: casar ou não casar. Se fosse nos tempos atuais, o certo seria assumir a criança, mas não assumir a mulher. 

Pagar uma pensão e seguir a vida, ajudando a criar o menino. Mas, eram outros tempos e o casamento era, de certa maneira, inevitável. 

Minha avó, mãe dele, ficou muito contrariada, vindo a morrer pouco tempo depois.


Beleza, quem casa, quer casa. O casal foi morar na fazenda que era de minha avó (na verdade, a fazenda era de todos, pois minha avó ainda não tinha dividido os bens). Mas, como era uma situação de emergência, todos os irmãos concordaram. Além do mais, esse meu tio havia tomado conta da fazenda, durante anos, não deixando as coisas acabarem.


Aí é que as coisas começam a sair dos eixos: em pouco menos de um ano, a mulher estava grávida de novo (e de gêmeos!). Assim, a renda da fazenda que mal dava para os três, teria que dar conta para cinco.


Nisso, entraram minhas tias que resolveram pagar a maior parte das despesas desse meu tio. O que era para ser uma ajuda temporária, virou um auxílio permanente.


E a mulher, que não era muito certa da cabeça, destrambelhou de vez: não deixava meu tio sair de casa, cuidar das coisas dele. O correto seria levar a um neurologista, psiquiatra, sei lá, e resolver isso. Mas, não. E a situação foi piorando.


Assim, em alguns anos, meu tio para poder sobreviver, foi vendendo os implementos que tinha e uma parte das terras.


Os filhos cresceram e, ao invés, de ajudarem passaram a exigir cada vez do pai. A mãe deles, ao invés de educa-los, passou a dar tudo, com medo de que fossem embora. É sério, não dá para acreditar, mas aconteceu mesmo.



Por fim, os filhos resolveram ir para a cidade; como não estudaram, passaram a trabalhar em serviços braçais, ganhando uma merreca por mês.


Meu tio, ao passar tanto desgosto, sofreu um infarto e hoje não nem 10% do que homem que era.


A mulher dele vive a base de remédios de tarja preta, achando que os filhos são os melhores do mundo.


Cada um tire as suas conclusões, mas estas são as minhas:

·          
  • Cuidado ao se casar; a pessoa pode te levar para o buraco.
  • Engravidar uma mulher não é sinônimo que tenha que se casar com ela.
  • Educar filhos não é para qualquer um.

  • ·Ajude que precisa, mas nunca faça as coisas que a pessoa mesma pode fazer.



sexta-feira, 13 de setembro de 2019

MEU TIO SEMI-MORTO

Tenho um tio que já está na casa do setenta. Sempre o admirei por ele ter conquistado as coisas devido ao seu próprio esforço e trabalho, tal qual meu pai também fez. Mas, hoje olhando para ele, fico pensando na sua atual situação: não está tão velho assim, mas simplesmente deixou de viver. Passa o dia em casa, fazendo não sei o que e quando o encontro (raramente) é um mar de lamúrias. Mas, como chegou a este ponto? Para isto, é preciso voltar no tempo.

Quando meu tio tinha seus 20 e poucos anos (década de 1960) começou a trabalhar numa empresa da minha cidade e passou a ganhar bem. Isto o fez comprar um carro, um luxo naqueles dias.
Para completar, ainda passou em concurso público! Cara, ele passou a receber uma pequena fortuna todo mês e ainda não tinha 30 anos!

Aí é que segundo meus tios e outros parentes (inclusive meu pai), meu tio passou a ter um comportamento diferente: deixou de ser humilde e passou a ser arrogante, metido. Seria o que hoje se poderia chamar de ostentação.

As moças eram doidas com ele (por causa do carro, hehehe) e ele namorou cada mulherão. Mas ele não era bobo: se divertia, tinha carro do ano, mas sempre investia em casas e terrenos. Assim, em pouco tempo já tinha um bom patrimônio.

Quando fez trinta anos resolveu se casar com uma mulher 10 anos mais jovem que ele. Nada contra, mas minha avó ficou putaça com ele. Havia outras moças que ele já conhecia, mas meu tio não queria saber: casou e pronto.

Pois bem, os anos se passaram e vieram dois filhos, uma menina e um menino. Meu tio dava tudo o que eles pediam: os brinquedos mais caros, as roupas de marcas, as viagens mais extravagantes. Para você ter uma ideia, meu primo chegou a ter a coleção completa dos “Comandos em Ação”! Se você não sabe o que é essa porra, pesquisa no Google. Cara, todos os brinquedos dele enchiam a minha casa! Minha prima chegou a ter uma cacetada de Barbies. Quando eles ficaram adolescentes, meu tio comprava CDs para eles (todos originais). Enquanto eu me orgulhava de ter uns 4 CDs (isto em 1998), eles tinham dezenas deles.

Passou-se mais um tempo. Meu tio se aposentou dos dois empregos e passou a ficar mais em casa. Por não ter cuidado muito de sua saúde (bebeu e fumou demais) passou a ter um problema respiratório grave, o que o deixa sem fôlego ao fazer qualquer atividade física mais prolongada.

Aí você diz: os filhos e a esposa cuidam muito bem, afinal ele sempre os deu conforto. Que nada! O coitado é tratado pior que cachorro.

A esposa se preocupa em manter a silhueta e faz todo tipo de regime e dieta que aparece. Frequenta academia e não seria de estranhar que ela já tenha outro, mais jovem. O filho, arrumou um emprego numa firma de computação e vem o visitar, de vez em quando, pois mora em Campinas. A filha é a melhor de todas: não trabalha, fica o dia inteiro dentro de casa e está engordando assustadoramente (e pensar que ela era muito gostosa há menos de 10 anos).

E assim, meu tio segue vivendo, ou melhor sobrevivendo; quando o encontro fico me perguntando como um homem tão ativo e inteligente se tornou um farrapo, uma sombra do que era; está numa semi-morte.

Disso, posso tirar 3 lições:

1.       Não se case com uma pessoa muito diferente de você. Não que seja preconceito, mas as afinidades são o que mantém qualquer relação. 

2.       Eduque seus filhos para te ajudarem, para que possam saber o valor das coisas, não o preço. Existem pais que falam: “meus filhos não vão passar pelo que passei”. Isso só pode dar merd@.

3.       Cuide de você mesmo, principalmente da sua saúde. 













terça-feira, 10 de setembro de 2019

COMO SE SOBRESSAIR EM UMA REPARTIÇÃO PÚBLICA - 2


Sou um funcionário público com muito orgulho. Sei que a fama da minha classe não é das melhores (só perdemos para as bost@s dos políticos), mas isso é uma generalização errada. Existem bons e maus profissionais em qualquer atividade (advogados, engenheiros, administradores, prostitutas, etc).



Prestei concurso e passei e estou há mais de uma década nesse posto. Nunca roubei, nem desviei dinheiro público (exceto umas canetas ou umas impressões na impressora da repartição). Não fiquei rico, mas tenho uma vida confortável.



Lembro-me que, em uma tarde, em 2014, um colega meu, no liminar de se aposentar, comentou na mesa de café “7 mandamentos” que ele achava ser muito útil para se sobressair no serviço público. Claro que não eram lições tiradas de livros de treinamento, de auto-ajuda ou como está na moda, “coaching”; eram lições de um homem que estava há quase 40 anos no serviço público e tinha vivenciado uma infinidade de situações.



Lembro-me que ele ia falando e eu ia anotando num papel de pão do lanche da tarde. Em outubro de 2018, coloquei essas 7 regrinhas, mas agora vou comentá-las. Muito obrigado, mestre Augusto Venâncio Tavares!




1. Faça o seu trabalho da melhor maneira possível. 



Por mais que você seja “experto” não tem como: você precisa mostrar serviço. Sendo assim, para evitar amolações, faça seu serviço da melhor maneira possível, mas tenha cuidado com o ritmo: devagar demais leva bronca, rápido demais, dá mais serviço. E não adianta querer ser o “campeão de produtividade”, pois a recompensa por fazer seu serviço é receber mais serviço para fazer.





2. Tenha um bom relacionamento com seus colegas, mas evite muita familiaridade. 

O ambiente em uma repartição pública nem sempre é bom, pois existe muita inveja ou simplesmente alguns querem se dar bem em cima dos outros, como em qualquer local de trabalho. Sendo assim, tenha um bom relacionamento com todos os que estão na sua sala, mas evite ser muito próximo para evitar que saibam coisas pessoais que podem ser usadas contra você.





3.      Evite comentar assuntos pessoais com colegas. 

Como já foi falado, evite comentar assuntos pessoais, ainda mais compra de casas, carros ou até uma viagem. O olho gordo pode arruinar muitos projetos e o que não é sabido não é invejado.



4.      Não queira ser chefe. 

Aqui muitas pessoas discordam, pois afinal é o crescimento profissional. Mas isso no setor público não é uma coisa, geralmente boa. Envolve política partidária, favorecer certas pessoas e a remuneração, muitas vezes, não compensa. Sem contar a amolação, a aporrinhação que enchem o saco de qualquer cristão. O AVT (apelido do meu colega) disse uma frase magistral: “chefe é alguém para se pôr a culpa do que deu errado. ”



5.      Ajude quem merece ser ajudado. 

Existem colegas que, por afinidade ou simpatia, gostamos de ajudar. Outros, pelo interesse e pela boa companhia. Mas tem uns que dão até vontade de vomitar quando chegam perto. É parte da natureza humana. Sendo assim, ajude quem você quer e não se preocupe em agradar todo mundo. “Nem Deus agrada a todos, imagina a gente, pecadores do caramba! (AVT).





6.      Evite falar muito durante o trabalho.

Sempre tem os falantes, os que falam pelo cotovelo. São pessoas necessárias, pois apesar das bobagens que dizem, sempre se pode saber de alguma coisa. Não fale muito, ouça mais. “Temos 2 orelhas e uma boca, para falarmos metade e ouvir o dobro”, provérbio árabe, citado por AVT.



7.      Esteja sempre disponível e cordial. 

 Apesar disso ser muito complicado, devido aos problemas cotidianos, é sempre bom estar disposto a ajudar o público e ser alegre e gentil. "Ninguém se importa com nossos problemas; quando você fica acima deles, se parece com Deus” (AVT).

PENSAMENTOS DO CAR@LHO # 15