Podem me chamar de desumano, sem-coração, ruim, mas de
uma coisa não abro mão: acredito, com todas as minhas forças, que não se pode
ter dó de ninguém. Não se pode ter esse
sentimento, pois ele rebaixa a pessoa e ela passa a ter um comportamento
submisso, quase escravo. Mas é bom ressaltar: isso nada tem a ver em não ajudar
as pessoas que precisam, que passam por um momento difícil e complicado na
vida. Em suma: ajudar a carregar a cruz e não carregar a cruz do outro para
ele.
Para ilustrar meu pensamento, recordo-me de um caso
familiar, infelizmente verídico. Havia um irmão de minha mãe, meu tio materno,
que era um homem forte e saudável, determinado e que tinha tudo para ter uma
vida boa e produtiva.
Lembro-me bem dele, há cerca de 30 anos: moreno, alto,
forte e simpático. Um futuro promissor o aguardava.
Todavia, ele era solteiro e num desses lances impensados
da vida, acabou engravidando uma mulher (que, diga-se de passagem, vivia dando
em cima dele). Essa mulher nunca foi muito normal, apresentando sérios
problemas mentais, mas encorajada pela família e com medo de ficar solteira,
resolveu atacar o coitado do meu tio. Coitado, até certo ponto, pois ele
transou com ela porque quis, não foi obrigado.
Assim, ficou este impasse: casar ou não casar. Se
fosse nos tempos atuais, o certo seria assumir a criança, mas não assumir a
mulher.
Pagar uma pensão e seguir a vida, ajudando a criar o menino. Mas, eram
outros tempos e o casamento era, de certa maneira, inevitável.
Minha avó, mãe
dele, ficou muito contrariada, vindo a morrer pouco tempo depois.
Beleza, quem casa, quer casa. O casal foi morar na
fazenda que era de minha avó (na verdade, a fazenda era de todos, pois minha
avó ainda não tinha dividido os bens). Mas, como era uma situação de
emergência, todos os irmãos concordaram. Além do mais, esse meu tio havia
tomado conta da fazenda, durante anos, não deixando as coisas acabarem.
Aí é que as coisas começam a sair dos eixos: em pouco
menos de um ano, a mulher estava grávida de novo (e de gêmeos!). Assim, a renda
da fazenda que mal dava para os três, teria que dar conta para cinco.
Nisso, entraram minhas tias que resolveram pagar a
maior parte das despesas desse meu tio. O que era para ser uma ajuda
temporária, virou um auxílio permanente.
E a mulher, que não era muito certa da cabeça,
destrambelhou de vez: não deixava meu tio sair de casa, cuidar das coisas dele.
O correto seria levar a um neurologista, psiquiatra, sei lá, e resolver isso. Mas,
não. E a situação foi piorando.
Assim, em alguns anos, meu tio para poder sobreviver,
foi vendendo os implementos que tinha e uma parte das terras.
Os filhos cresceram e, ao invés, de ajudarem passaram
a exigir cada vez do pai. A mãe deles, ao invés de educa-los, passou a dar
tudo, com medo de que fossem embora. É sério, não dá para acreditar, mas
aconteceu mesmo.
Por fim, os filhos resolveram ir para a cidade; como não
estudaram, passaram a trabalhar em serviços braçais, ganhando uma merreca por mês.
Meu tio, ao passar tanto desgosto, sofreu um infarto e
hoje não nem 10% do que homem que era.
A mulher dele vive a base de remédios de tarja preta,
achando que os filhos são os melhores do mundo.
Cada um tire as suas conclusões, mas estas são as minhas:
·
- Cuidado ao se casar; a pessoa pode te levar para o buraco.
- Engravidar uma mulher não é sinônimo que tenha que se casar com ela.
- Educar filhos não é para qualquer um.
- ·Ajude que precisa, mas nunca faça as coisas que a pessoa mesma pode fazer.


