quinta-feira, 29 de agosto de 2019

MEU PRIMO FODÃO


Eu tenho um primo que não gosta muito de mim; nada contra, é direito dele e também não vou muito com a cara do infeliz. Cada um pode fazer o que quiser da sua vida, não pago as contas dele, mas o jeito que ele leva a vida é algo que gosto de comentar. Não critico a pessoa em sim, mas o jeito dela viver que pode, muitas vezes, ser destrutivo.



Minha tia sempre foi uma mulher que nunca se preocupou muito com casa, não gostava de tarefas domésticas; trabalhava em dois empregos (teve época, em até três) e acabou deixando a criação dos filhos para as empregadas (esse meu primo tem uma irmã, mas isso fica para comentar numa próxima vez).



Pois bem: meu priminho foi sendo criado por empregadas, pois a mãezinha dele estava muito ocupada em trabalhar como uma escrava. Aí você me pergunta: mas eles tinham uma vida confortável, com boa casa, viagens, bom carro. Engano total! Eles moravam numa casinha fuleira, tinha um carro caindo aos pedaços e viviam devendo na praça.



O marido dela tinha um bom emprego, mas o grosso do salário ficava nos botecos. Minha tia só foi ter uma casa própria com quase 50 anos! (ela começou a trabalhar com menos de 20). Um carro decente e viajar só depois também. (curiosamente, ela só conseguiu isso quando ficou viúva).



Mas, voltando ao meu primo. Então, ele foi sendo criado assim, meio que sem limites, pois seus papais estavam muito ocupados em pagar as contas e manter as aparências.



Quando ele ficou adolescente, aí o caldo entornou mesmo: começou a sair com uma turminha barra pesada, virar noites com uma galera bem estranha. Começou a gostar de Raul Seixas, Zé Ramalho, Ventania (nada contra, também gosto de algumas músicas, mas não quero virar bicho-grilo).



Então, se fosse meu filho, o que faria? Iria orientá-lo, dizer que isso é bom, mas que existem coisas melhores que afetam sua saúde física e mental. Mas os pais acharam tudo muito bonito e ainda apoiaram o cara nessa viagem!



Resultado: em pouco tempo, ele havia se tornado uma pessoa sem responsabilidades, sem rumo na vida. Começou a fazer faculdade, mas logo trancou.



Ele deu uma puta sorte, pois passou num concurso público (sabe Deus como) e passou a ganhar um bom salário por mês. Se tivesse cabeça, estaria com a vida resolvida, mas como não tem, todo o dinheiro vai para as farras e para os amigos parasitas.



Para piorar, começou a escrever no Instagram aqueles textos sem pé nem cabeça que os amiguinhos lacradores dele adoram. E assim vai, vivendo com 30 anos, com a mente alucinada, se achando o pica das galáxias.



Como falei no começo, nada contra ele, a vida dele e ele faz como bem entender. Mas, acho isso um desperdício. Um cara destruindo a sua vida, sua saúde, sua mente somente para se achar fodão, descolado. Mas, ele não é único. É o retrato triste de nossa juventude.






PENSAMENTOS DO CAR@LHO # 01


LIÇÕES DA EXISTÊNCIA - 3 - CONTROLE SEU PATRIMÔNIO


Temos que ser realistas e aceitar que vivemos num mundo de aparências; somos julgados pelo que temos. Quem não aceitar isso, vive num mundo de fantasia ou é um tremendo hipócrita. Logicamente, que se deixar levar apenas pelo fator externo é uma tremenda burrice, todavia, a primeira impressão é que temos que ser bonitos e bem-sucedidos. Depois, podemos mostrar quem realmente somos, exibindo as coisas que o dinheiro jamais pode comprar como educação, conhecimento e bom humor.

Sendo assim, o primeiro passo para evitar passar por algum aperto patrimonial (a popular falta de grana) é sempre controlar o que você tem. Isso mesmo, anotar o que você ganha e o que você gasta.

É uma coisa que enche o saco, ocupa um tempo importante, mas é de fundamental importância para evitar que você passe um perrengue na sua vida financeira.

O básico é o que qualquer criança de 8 anos sabe: se você ganha R$ 1.000,00, só pode gastar R$ 1.000,00. E se você tiver algum bom senso, vai saber que não deve gastar tudo, deve guardar um pouco para uma emergência, uma poupança.

Anote o que gaste, anote o que você tem para gastar e sempre compre a vista, exigindo desconto. Faça o dinheiro trabalhar para você e não o inverso.

Todos os dias, separe um tempo para fazer seu controle patrimonial. É como um capitão de um navio estudando as cartas náuticas para melhor conduzir sua embarcação.

Posso garantir que no começo é muito ruim, mas depois, vira uma atividade prazerosa, pois acaba por massagear o seu ego.

Aí, você pode falar: mas ganho pouco, não sobra nada! Não sobra, por que você não está administrando direito. Conheci juiz que ganhava um dinheirão por mês, mas estava atolado no cheque especial e um vendedor de picolé com uma dúzia de casas de aluguel. 


quarta-feira, 28 de agosto de 2019

O QUE É A VIDA?


    A vida é algo muito interessante, pelo menos, sempre tive esse ponto de vista. Pode parecer algo totalmente sem sentido ou repleto de significado; pode nos trazer paz e realização ou simplesmente angústia e melancolia. Por mais que se viva e que se conheça os meandros da existência, sempre haverá os momentos de pura desilusão com tudo e com todos.



    Na minha juventude, lá pelos 15 anos, eu comecei a tentar a elaboração de uma filosofia de vida, um conjunto de conceitos que pudesse me ajudar a ser uma pessoa mais bem resolvida. Posso até voltar mais atrás no tempo: minhas primeiras preocupações datam dos sete para os oito anos, quando comecei a conviver com outras pessoas e tentei esboçar minhas primeiras impressões sobre a vida. Como se pode notar, minha perturbação é algo que cultivo há anos.



    Assim, quando atinge meus trinta anos, já tinha uma coleção de elementos bem robusta, digamos que um conjunto de conceitos bem estruturados. Isso me encheu de um puta orgulho. Era como se tivesse começado a escalar uma montanha muito alta e, depois de anos de esforço e empenho, chegava ao cume daquele pico. Me sentia realizado. Regras gerais para os mais diversos aspectos da vida, atualizadas a contento. Só que não aconteceu assim.



   Passado pouco tempo, percebi que aquele sistema, apesar de belo e bem desenhado, não me satisfazia. Punha-o a prova e sempre me sentia incompleto, perdendo o sentido daquilo tudo. Logo, aquele edifício tão bonito começava a desmoronar.



   Tentei fazer os reparos, mas o conserto ficou bem pior. E assim, tive que aceitar o que para mim, anos antes, era inaceitável: não existe uma fórmula pronta para viver a vida. A única regra realmente válida é aceitar que não existe um caminho e que a mudança é a única coisa que jamais muda. Que por mais preparado que esteja, sempre haverá um ponto cego que irá te jogar no chão. Que por mais que faça e aconteça, o mundo não estará satisfeito. Que fazer tudo por alguém não é garantia de amor, muito menos de ajuda recíproca.  



   Que devemos ser céticos, mas não amaros. Que devemos refletir o que fazemos, construir um repertório imenso para que tenhamos um pouco mais de sabedoria. Aceitar os dias bons e os ruins da mesma forma.



    E no final das contas, não ser otimista, nem pessimista; ser realista.



   Amar a vida com todas as suas incoerências e desacertos. Ser humano por mais difícil que tal condição possa exigir. 


PENSAMENTOS DO CAR@LHO # 15