Eu tenho um primo que não gosta muito de mim; nada contra, é direito dele e também
não vou muito com a cara do infeliz. Cada um pode fazer o que quiser da sua
vida, não pago as contas dele, mas o jeito que ele leva a vida é algo que gosto
de comentar. Não critico a pessoa em sim, mas o jeito dela viver que pode,
muitas vezes, ser destrutivo.
Minha
tia sempre foi uma mulher que nunca se preocupou muito com casa, não gostava de
tarefas domésticas; trabalhava em dois empregos (teve época, em até três) e
acabou deixando a criação dos filhos para as empregadas (esse meu primo tem uma
irmã, mas isso fica para comentar numa próxima vez).
Pois
bem: meu priminho foi sendo criado por empregadas, pois a mãezinha dele estava
muito ocupada em trabalhar como uma escrava. Aí você me pergunta: mas eles
tinham uma vida confortável, com boa casa, viagens, bom carro. Engano total!
Eles moravam numa casinha fuleira, tinha um carro caindo aos pedaços e viviam
devendo na praça.
O
marido dela tinha um bom emprego, mas o grosso do salário ficava nos botecos.
Minha tia só foi ter uma casa própria com quase 50 anos! (ela começou a
trabalhar com menos de 20). Um carro decente e viajar só depois também.
(curiosamente, ela só conseguiu isso quando ficou viúva).
Mas,
voltando ao meu primo. Então, ele foi sendo criado assim, meio que sem limites,
pois seus papais estavam muito ocupados em pagar as contas e manter as aparências.
Quando
ele ficou adolescente, aí o caldo entornou mesmo: começou a sair com uma
turminha barra pesada, virar noites com uma galera bem estranha. Começou a
gostar de Raul Seixas, Zé Ramalho, Ventania (nada contra, também gosto de
algumas músicas, mas não quero virar bicho-grilo).
Então,
se fosse meu filho, o que faria? Iria orientá-lo, dizer que isso é bom, mas que
existem coisas melhores que afetam sua saúde física e mental. Mas os pais acharam
tudo muito bonito e ainda apoiaram o cara nessa viagem!
Resultado:
em pouco tempo, ele havia se tornado uma pessoa sem responsabilidades, sem rumo
na vida. Começou a fazer faculdade, mas logo trancou.
Ele
deu uma puta sorte, pois passou num concurso público (sabe Deus como) e passou
a ganhar um bom salário por mês. Se tivesse cabeça, estaria com a vida
resolvida, mas como não tem, todo o dinheiro vai para as farras e para os
amigos parasitas.
Para
piorar, começou a escrever no Instagram aqueles textos sem pé nem cabeça que os
amiguinhos lacradores dele adoram. E assim vai, vivendo com 30 anos, com a
mente alucinada, se achando o pica das galáxias.
Como
falei no começo, nada contra ele, a vida dele e ele faz como bem entender. Mas,
acho isso um desperdício. Um cara destruindo a sua vida, sua saúde, sua mente
somente para se achar fodão, descolado. Mas, ele não é único. É o retrato
triste de nossa juventude.



