A vida é algo muito interessante, pelo
menos, sempre tive esse ponto de vista. Pode parecer algo totalmente sem
sentido ou repleto de significado; pode nos trazer paz e realização ou
simplesmente angústia e melancolia. Por mais que se viva e que se conheça os
meandros da existência, sempre haverá os momentos de pura desilusão com tudo e
com todos.
Na minha juventude, lá pelos 15 anos, eu
comecei a tentar a elaboração de uma filosofia de vida, um conjunto de
conceitos que pudesse me ajudar a ser uma pessoa mais bem resolvida. Posso até
voltar mais atrás no tempo: minhas primeiras preocupações datam dos sete para
os oito anos, quando comecei a conviver com outras pessoas e tentei esboçar
minhas primeiras impressões sobre a vida. Como se pode notar, minha perturbação
é algo que cultivo há anos.
Assim, quando atinge meus trinta anos, já
tinha uma coleção de elementos bem robusta, digamos que um conjunto de
conceitos bem estruturados. Isso me encheu de um puta orgulho. Era como se
tivesse começado a escalar uma montanha muito alta e, depois de anos de esforço
e empenho, chegava ao cume daquele pico. Me sentia realizado. Regras gerais
para os mais diversos aspectos da vida, atualizadas a contento. Só que não aconteceu
assim.
Passado pouco tempo, percebi que aquele
sistema, apesar de belo e bem desenhado, não me satisfazia. Punha-o a prova e
sempre me sentia incompleto, perdendo o sentido daquilo tudo. Logo, aquele edifício
tão bonito começava a desmoronar.
Tentei fazer os reparos, mas o conserto
ficou bem pior. E assim, tive que aceitar o que para mim, anos antes, era inaceitável:
não existe uma fórmula pronta para viver a vida. A única regra realmente válida
é aceitar que não existe um caminho e que a mudança é a única coisa que jamais muda.
Que por mais preparado que esteja, sempre haverá um ponto cego que irá te jogar
no chão. Que por mais que faça e aconteça, o mundo não estará satisfeito. Que
fazer tudo por alguém não é garantia de amor, muito menos de ajuda recíproca.
Que devemos ser céticos, mas não amaros.
Que devemos refletir o que fazemos, construir um repertório imenso para que
tenhamos um pouco mais de sabedoria. Aceitar os dias bons e os ruins da mesma
forma.
E no final das contas, não ser otimista,
nem pessimista; ser realista.

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