quarta-feira, 28 de agosto de 2019

O QUE É A VIDA?


    A vida é algo muito interessante, pelo menos, sempre tive esse ponto de vista. Pode parecer algo totalmente sem sentido ou repleto de significado; pode nos trazer paz e realização ou simplesmente angústia e melancolia. Por mais que se viva e que se conheça os meandros da existência, sempre haverá os momentos de pura desilusão com tudo e com todos.



    Na minha juventude, lá pelos 15 anos, eu comecei a tentar a elaboração de uma filosofia de vida, um conjunto de conceitos que pudesse me ajudar a ser uma pessoa mais bem resolvida. Posso até voltar mais atrás no tempo: minhas primeiras preocupações datam dos sete para os oito anos, quando comecei a conviver com outras pessoas e tentei esboçar minhas primeiras impressões sobre a vida. Como se pode notar, minha perturbação é algo que cultivo há anos.



    Assim, quando atinge meus trinta anos, já tinha uma coleção de elementos bem robusta, digamos que um conjunto de conceitos bem estruturados. Isso me encheu de um puta orgulho. Era como se tivesse começado a escalar uma montanha muito alta e, depois de anos de esforço e empenho, chegava ao cume daquele pico. Me sentia realizado. Regras gerais para os mais diversos aspectos da vida, atualizadas a contento. Só que não aconteceu assim.



   Passado pouco tempo, percebi que aquele sistema, apesar de belo e bem desenhado, não me satisfazia. Punha-o a prova e sempre me sentia incompleto, perdendo o sentido daquilo tudo. Logo, aquele edifício tão bonito começava a desmoronar.



   Tentei fazer os reparos, mas o conserto ficou bem pior. E assim, tive que aceitar o que para mim, anos antes, era inaceitável: não existe uma fórmula pronta para viver a vida. A única regra realmente válida é aceitar que não existe um caminho e que a mudança é a única coisa que jamais muda. Que por mais preparado que esteja, sempre haverá um ponto cego que irá te jogar no chão. Que por mais que faça e aconteça, o mundo não estará satisfeito. Que fazer tudo por alguém não é garantia de amor, muito menos de ajuda recíproca.  



   Que devemos ser céticos, mas não amaros. Que devemos refletir o que fazemos, construir um repertório imenso para que tenhamos um pouco mais de sabedoria. Aceitar os dias bons e os ruins da mesma forma.



    E no final das contas, não ser otimista, nem pessimista; ser realista.



   Amar a vida com todas as suas incoerências e desacertos. Ser humano por mais difícil que tal condição possa exigir. 


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PENSAMENTOS DO CAR@LHO # 15