sexta-feira, 6 de março de 2020

QUATRO LIÇÕES


No dia 17 de maio, irei completar 39 anos (se Deus quiser!); sou quase quarentão. Como estava sem sono, resolvi escrever e saiu este texto:

 

Com o passar do tempo, vamos aprendendo com os fatos da vivência, de maneira que nos tornamos mais inteligente ou, no máximo, menos idiotas com relação às coisas e pessoas que existem. Isto acontece com as pessoas que possuem algum entendimento de como a vida funciona, de como a existência acontece e quão absurda ela possa parecer.



Todos nós nascemos com uma visão de que o mundo é bom, pois se tivermos uma infância boa ou razoável, esta será a visão que nos guiará nos primeiros anos de vida (quando começamos nossa vida social, na escola).



Contudo, com novas situações enfrentadas e novas experiências adquiridas a visão de que tudo está bem se modifica: não mais atende à realidade e passa a ser um problema que precisa ser solucionado. Aqui, entra em ação uma importante característica que molda quem terá sucesso ou não: a capacidade de se adaptar.



De fato, quem realmente vence na competição diária, não é o mais forte, nem o mais inteligente, mas sim o mais adaptável, aquele que sabe tirar de suas forças e de seus recursos a energia necessária para vencer e prevalecer.



Quando estamos na escola, já existe uma clara divisão entre grupos: existem os mais fortes, os mais inteligentes, os mais limitados, os mais introvertidos, os mais bonitos, os mais feios, os mais adaptáveis. Por mais que as teorias educacionais e os ditos gurus comportamentais tentem criar modelos e encontrar métodos para superar as diferenças, isto não tem como superar: faz parte das características humanas a diferenciação e o preconceito aos grupos que não se encaixam na dita normalidade.



Me lembro de quando fui estudar, o trabalho que dei para permanecer na escola; meus pais me levaram à psicóloga para superar esta fase; superei. Por ser muito tímido e inteligente, sempre fui alvo de inveja e provocações. Briguei: em algumas vezes bati e em outras apanhei, mas nunca deixei que me humilhassem.



Desde muito novo, percebi algo que toda pessoa precisa, tanto quando comer, beber e dormir: atenção. Esta lição é um verdadeiro achado e quando usada com sabedoria, te faz ter um poder incrível.



Assim, na escola, eu sempre prestava atenção às aulas; sempre perguntava aos professores; no final da aula, sempre conversava com eles, perguntando alguma coisa sobre a aula e encaixando alguma pergunta pessoal; sentava na frente e anotava tudo o que podia.



A outra pessoa sempre estará interessada nela do que em você. Se você se tornar um ouvinte atento e dedicado, terá um poder sem limites sobre ela. A grande maioria quer apenas ser ouvida, ainda que seus assuntos sejam tolos e pueris. Desejam falar sobre como são espertas, como sua vida patética é cheia de significado, como um filme mudou sua visão de mundo, etc.

Dê atenção às pessoas: ouça mais, ouça com atenção.
 Outro ensinamento deveras importante é: não dependa muito das pessoas. Isto nada tem a ver com viver isolado, como um ermitão, mas apenas selecionar quem você se relaciona e até que ponto, você se compromete com quem quer que seja. Aprendi isso a duras penas, sofri muito, mas compreendi, de uma vez por todas.



Quando era mais jovem, no auge dos meus 20 anos, pensei em ser um empresário. Queria fundar um banco, ajudar as pessoas, ser um empresário diferente mesmo. Arrumei algum dinheiro e comecei a emprestar. O mais importante para mim era ajudar; o lucro viria em segundo plano.



Só que existem pessoas que se aproveitam e comigo não foi diferente: ganhei muito dinheiro, mas perdi muito também. Hoje, sou muito mais seletivo. 

A confiança, infelizmente, deve e precisa ser, seletiva.

Também é importante criar um estilo somente seu; nada de copiar alguém que você acha mais inteligente, mais forte. Não queira ser melhor do que alguém, mas seja o melhor que pode ser, dentro de suas possibilidades. 

Crie seu próprio estilo: tenha influências, todavia não seja uma simples cópia.


Por fim, valorize de onde você veio, sua família, suas origens. Pode parecer pedante e idiota, mas nada disso: se você existe é porque um homem e uma mulher, muitos anos atrás, se uniram para ter seus antepassados. Eles te legaram uma vida, quem sabe bens, mas sobretudo um nome. 
 
Valorize suas origens, sua família, seus antepassados.



De fato: “quando não se sabe de onde se veio, dificilmente se sabe para onde se vai”.




QUATRO LIÇÕES PARA A EXISTÊNCIA

I – Dê atenção às pessoas.

II – Não confie demais nas pessoas.

III – Crie seu próprio estilo.

IV – Valorize suas origens.

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