Dia desses encontrei com
um conhecido e começamos a falar da vida. Este conhecido é um homem respeitado;
apesar da pouca idade já tem um bom patrimônio e tem um bom nome na praça (se
bem que cometeu algumas cagadas, como casar com uma parasita que o chifrou; mas
ele se divorciou, ainda bem!)
Pois bem, esse conhecido
falava sobre como estava a sua vida: estava divorciado (graças a Deus, sem
filhos) e aproveitava a vida (me disse que a ex não gostava de porra nenhuma,
só de rede social, BBB e programa de fofoca). Lembro-me de conhecer a ex mulher
dele: muito bonita mesmo, mas não tinha assunto; cabeça leve, como diria minha
avó.
Então, a vida dele vai
se arrumando (parece que está namorando uma divorciada), e ele resolveu me contar como era a relação dele com o irmão. Fiquei ouvindo a história dele e resolvi
compilar aqui:
O irmão dele nunca foi
como ele: não era muito chegado em escola, tomando duas bombas (antigamente, se
repetia o ano, quando não se conseguia notas; outros tempos, meus caros!). Tudo
bem, eu também odiava escola (mas, nunca tomei bomba).
O meu conhecido
passou numa universidade federal, fez concurso e hoje tem um bom emprego. O
irmão dele tentou passar numa federal, não deu conta; o jeito foi fazer numa
faculdade particular, em outra cidade. O pai deles que não estava com as contas
muito bem, começou a se endividar.
Nesta cidade, o cara
começou a namorar uma menina de 14 anos! E começou a ir à festas, repetir
matérias; o coitado do pai pagando tudo e ficando com o nome sujo da praça.
Certa feita, o
inteligente decidiu abrir um negócio (mesmo morando fora). Resultado: o negócio
faliu e o pai e o irmão tiveram que pagar as contas.
Para complicar, o pai
deles faleceu de infarto. O meu conhecido se dedicou ao máximo para garantir os
direitos da família (tinha até um seguro que o pai havia feito) e pagar as
contas. Quando tudo estava arrumado, ele se ofereceu para ficar com o dinheiro do
irmão e da mãe, pois tinha experiência financeira. O irmão não aceitou, a mãe
ficou do lado dele. Logo, ele comprou uma caminhonete fudida, gastando todo
dinheiro (carros, ele já teve uns 4, todos usados e fudidos).
Quando se formou, o cara
começou a trabalhar numa empresa de vendas; como vivia na gandaia, foi mandado
embora. Mas o meu conhecido, conversou com o chefe dele e conseguiu o emprego
de volta para ele. O ingrato nem agradeceu.
Para completar a
namoradinha dele ficou grávida: foram morar com a sogra (mãe deles). O meu
conhecido o ajudou demais: deu dinheiro, apoio, enfim, fez o que pode.
Quando o filho dele
nasceu, ele esperava ser padrinho do sobrinho, mas o bonitão resolver chamar um
dos amigos de farra dele.
A esposa dele é mais
controlada e conseguiram construir uma boa casa; meu conhecido resolveu vender
alguns bens para o ajudar a terminar a casa. O cara se comprometeu a pagar, mas
sabe lá Deus quando.
Para fechar com chave de
ouro, ele me disse que na final da Libertadores, entre Flamengo e Liverpool, no
ano passado, ele esperava que o irmão lhe chamasse para assistir em sua casa
(ele tem TV por assinatura). Mas, nada. Chamou os colegas e nem se lembrou
dele.
Nos despedimos e fiquei
pensando: a vida tem dessas coisas. Tem pessoas, a grande maioria parentes, que
só nos procura quando precisa. Quando tudo está bem, nem se lembram que
existimos. Por isso, que tomei uma decisão: não crio expectativas. Com nada;
nem com ninguém.
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